domingo, 3 de outubro de 2010

Texto 1- A África dos grandes reinos e impérios[1]

Como vimos no texto anterior, antes de os europeus escravizarem os africanos, a partir do século XV, e colonizarem a África, no século XIX, diversas sociedades autônomas já existiam nesse continente, ou seja, as sociedades africanas já tinham a sua própria história. Algumas sociedades africanas pré-coloniais, sob o comando de chefes poderosos, ampliaram suas áreas de influência e dominaram outros povos, transformando-se, assim, em impérios e reinos prósperos e organizados, conforme relatos da época. Vamos falar sobre quatro dos grandes reinos africanos: Gana, Mali, Congo e Benin, mas antes faz-se necessário conhecer um pouco mais do retrato físico deste continente.A diversidade social, política e cultural da África ocorreu graças à extensão do continente e suas características geográficas.

A África é cercada a nordeste pelo mar Vermelho, ao norte pelo Mediterrâneo, a oeste pelo oceano Atlântico e a leste pelo oceano Índico. Em termos geográficos, suas principais marcas são o deserto do Saara ao norte que divide o continente, o deserto do Calahari a sudoeste, a floresta tropical do centro do continente, as savanas, ou campos de vegetação esparsa e rasteira, que separam áreas desérticas de áreas de florestas, e algumas terras altas, como aquelas nas quais nascem os rios que formam o Rio Nilo. Os rios são os meios de comunicação mais importantes do continente.

Essas diversidades naturais levaram estudiosos a falar de duas Áfricas, demarcadas pelo deserto do Saara: a África saariana que se localiza ao norte do continente e estende-se pela região que vai do atual Egito até Marrocos e a África subsaariana que estende-se do Saara até o Cabo da Boa Esperança, ao sul do continente, como podemos ver no mapa abaixo que representa a atual divisão territorial da África.

[1] Preparado pela Profa. Alinne Grazielle Neves Costa para os sétimos anos de 2010. As referências bibliográficas utilizadas na preparação do presente material didático constam ao seu final.


O reino de Gana: a “terra do ouro”

Localizado a oeste do continente africano, em uma zona chamada Sael e ao sul do Deserto do Saara, região também conhecida como África Subsaariana, o Reino de Gana cresceu a partir do ano 300 e teve seu apogeu entre os séculos IX e X, quando dominou os povos vizinhos e ocupou uma faixa territorial maior do que ocupa nos dias de hoje.

O rei recebia o título de gana e era visto como elo entre os deuses e os homens. Ele liderava um poderoso exército e ocupava o topo de uma sociedade hierarquizada. Sacerdotes, nobres e funcionários cuidavam da administração do reino.

A população se dedicava à agricultura e à criação de gado, mas o comércio era a principal atividade econômica do reino. O Reino de Gana controlava as rotas de comércio que atravessavam o Saara e chegava às cidades e aos portos do norte África. Esse comércio era feito por meio de caravanas de camelos, pois esses animais conseguem viver com pouca quantidade de água.

O principal artigo transportado era o ouro retirado das minas do sul de Gana, isso explica por que seus reis eram chamados pelos povos do norte de “senhores do ouro”. Durante o domínio português, Gana era chamada de Costa de Ouro, por causa da grande quantidade de jazidas de ouro nessa região. Atualmente, ao lado da exportação de cacau e de madeira, a exploração de ouro ainda é uma das atividades econômicas mais importantes do país. Gana é um dos maiores produtores de ouro do mundo.

Também se comercializava o sal, extraído das salinas do litoral ou das jazidas no deserto. Do norte vinham produtos manufaturados, tecidos europeus asiáticos, barras de cobre, contas de vidro e tipos diferentes de arma que abasteciam as sociedades africanas.

O império do Mali: o “lugar onde o senhor reside”

Este império desenvolveu-se entre os séculos XIII e XVI, período em que impôs sua hegemonia sobre a bacia do Rio Níger. Constituído pela atual República de Mali e algumas regiões dos atuais Senegal e Guiné, o reino do Mali, no século XIV, expandiu-se por meio da anexação das cidades de Tombuctu, Gao e Djenne que foram importantes cidades, centros de troca e de concentração de pessoas, graças à rede de rios que fertilizava as terras e facilitava o transporte na região.

O Mali era um império poderoso, pois controlava o comércio transaariano e as rotas caravaneiras que se dirigiam para as principais cidades do reino, localizados em sua maioria às bordas do Rio Níger, semelhante a rota comercial de Gana. O comércio e principalmente as taxas sobre o tráfico de ouro, sal, escravos, marfim, noz-de-cola e outros produtos eram fundamentais para a manutenção do Estado, da corte e do mansa. O artesanato era bastante desenvolvido. Cada grupo de artesãos tinha seu representante junto ao imperador. Os governantes do Mali recebiam o título de mansa. Viajantes árabes relatavam histórias de alguns governantes que se tornaram famosos, como Sundiata, herói fundador que reinou de 1230 a 1255, e Mansa Musa, que governou entre 1312 e 1337.


Mansa Musa - (Extraído do blog: civilizacoesafricanas.blogspot.com)

A cidade de Tombuctu destacou-se como grande centro cultural do continente africano, onde havia vastas bibliotecas, madrassas (universidades islâmicas) e magníficas mesquitas que é o lugar onde a comunidade muçulmana se reúne para tratar de todas as questões que lhe interessa, questões religiosas, sociais, políticas e locais e também para rezar. Além disso, a cidade passou a ser o ponto de encontro de poetas, intelectuais e artistas da África e do Oriente Médio. Mesmo após o declino do império, Tombuctu permaneceu como um dos principais pólos islâmicos da África subsaariana. Em 1988, a cidade de Timbuctu foi declarada patrimônio mundial pela UNESCO.

Vale destacar que as 150 escolas que existiam em Tombuctu eram muito diferentes das escolas medievais européias. Não possuíam uma administração central, registros de estudantes ou cursos pré- determinados. Eram formadas por diversas faculdades independentes. Os estudantes se associavam a um único professor, o objetivo do ensino era transmitir os ensinamentos do Alcorão, livro sagrado do islamismo.

É importante mencionar que o império do Mali e também de Gana assimilaram a cultura e a religião islâmica. Maomé que viveu entre Meca e Medina, de 570 a 632, foi fundador do Islã, que significa submissão a um deus, única e onipotente. A religião vinha acompanhada de maneiras de viver e de governar próprias do mundo árabe, chamadas de muçulmanas, sobre este assunto estudaremos com mais detalhes mais adiante.

Reino do Congo: “saudações ao manicongo”

Fundado no século XIV, o reino do Congo abrangia grande extensão da África centro-ocidental e se compunha de diversas províncias, governado por um rei que recebia o título de Manicongo. Hoje a região que fazia parte do reino Congo, recebe o nome de Republica Democrática do Congo.Os habitantes do reino do Congo organizavam-se em vários clãs. Esses clãs eram compostos de pessoas que acreditavam descender de um mesmo antepassado.

A base da economia do Congo era a agricultura, pastoreio e o comércio. O comércio no território do Congo era intenso, os comerciantes congoleses lucravam com a comercialização de tecidos, sal, metais e derivados de animais, como o marfim. O comércio poderia ser à base de trocas ou com moedas (conchas chamadas de nzimbu) encontradas na região de Luanda em Angola.

O manicongo, cercado de seus conselheiros, controlava o comércio, o trânsito de pessoas, recebia impostos, exercia a justiça, buscava garantir a harmonia da vida do reino e das pessoas que viviam nele.

Os limites do reino eram traçados pelo conjunto de aldeias que pagavam tributos ao poder central, devendo fidelidade a ele, recebendo proteção, tanto para assuntos deste mundo como para os assuntos do além, pois manicongo também era responsável pelas boas relações com os espíritos e os ancestrais.

Em 1483 iniciou no reino do Congo o contato com os portugueses.

Reino do Benin: “os feitos de obá”

Há indícios de que este reino tenha se desenvolvido entre os séculos XII e XIII, onde hoje estão Nigéria e Camarões. Desde cedo, essa região passou por um processo de urbanização, e as cidades se converteram em reinos. Sua localização favorecia o encontro de mercadores.

A principal atividade econômica do reino de Benim era o comércio de sal, peixe seco, inhame, dendê, feijão, animais de criação, o cobre, produto raro, só possível para os mais poderosos, ou seja , os mais ricos. Produtos como pimenta, marfim, tecidos e escravos eram comercializados ativamente com os reinos de Ifê e o reino Iorubá. Para prevenir a redução da população nativa, o governo proibiu a exportação de escravos masculinos e os importou da África ocidental para comerciá-los com os europeus a partir do século XVI.

Cronistas descreveram a cidade do Benin com grandes muralhas e um palácio decorados com placas de latão presas às paredes. Nessas placas, era contada a história do reino: feitos do obá (titulo do principal chefe do reino que se tornou o supremo poder na região), as caçadas, as guerras e os primeiros contatos com os portugueses, por volta de 1485. A chegada dos europeus foi registrada pelos artistas africanos com imagens esculpidas nessas placas e em pequenas estatuetas de marfim.

Cabeça de marfim, Império de Benim, século XVI (Metropolitan Museum of Art). (Extraído do blog: civilizacoesafricanas.blogspot.com)

O reino de Benin se desintegrou no século XIX, sob o domínio dos ingleses.

O contato entre os reinos africanos

A interação destes reinos acima estudados, e demais reinos africanos ocorreu através do comércio, ora através de relações pacificas , ora conflituosas, como foi o caso do reino de Gana que no século XIII foi governado por Sundiata Keita, rei do Império do Mali.

Quando os europeus começaram a explorar a costa africana, no século XV, encontraram diferentes povos, com línguas, tradições e costumes distintos. O contato dos europeus com essa diversidade de etnias, por meio da exploração das terras africanas e do escravismo, produziu um intercâmbio cultural que se pode notar em quase todo o planeta. No Brasil podemos reconhecer a África na capoeira, embalada pelo berimbau; a culinária, enriquecida com o vatapá, o caruru e outros quitutes; as influências musicais do batuque e a ginga do samba e dos instrumentos como cuícas, atabaques e agogôs. Estamos ligados ao continente africano de forma indissolúvel.


Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania)

PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. 2ed.São Paulo: Ática,2007.

KI-ZERBO, Joseph. História da África Negra.Vol.I.4ed.traducão Américo de Carvalho.Publicações Europa-América,2009.

Roteiro de Atividades:

  1. Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.
  2. Encontre e pinte no mapa de cores diferentes os reinos que foram estudados neste texto.
  3. Aponte as características semelhantes entre os reinos africanos estudados acima.
  4. A distância e o desconhecimento sobre a África levaram à divulgação de ideias erradas sobre os povos africanos. Você conhece nos dias atuais outras afirmações que revelam o preconceito contra algum povo? Qual? Comente a respeito.


Culturas em choque, culturas em trânsito - Parte I

Texto 1

África e africanos: mosaico de culturas[1]


Depois de estudarmos a formação do feudalismo na Europa Ocidental do século V até o século X, nos perguntamos: o que ocorria na Ásia, na África e na América neste mesmo período? Havia ligação entre essas regiões do globo? Se houve algum contato, sob que circunstância teria ocorrido: respeito, tolerância, competição e/ ou hostilidade? Que impactos o contato entre culturas tão diferentes traria ao chamado “mundo medieval”? Responderemos estas e outras perguntas iniciando pela história do continente africano.

Já é senso comum imaginar a África apenas como um conglomerado de países cobertos por vastas áreas abrigando animais selvagens, populações que sofrem com a miséria, economias falidas e governos corruptos. De fato, isso tudo ainda existe por lá, mas não pode representar o retrato de um continente tão grande e variado. De acordo com o que já estudamos na 5 série, achados e pesquisas comprovam que os primeiros ancestrais dos seres humanos teriam vivido no Vale do Rift, na África, entre 3 e 4 milhões de anos atrás. Sendo assim a África, constitui-se continente berço do conhecimento e da humanidade, possuí hoje uma população de 850 milhões de habitantes, 53 países e são faladas 2019 línguas.

Antes de os europeus escravizarem os africanos, a partir do século XV, e colonizarem a África, no século XIX, diversas sociedades autônomas já existiam nesse continente. Cada uma contava com sua própria organização econômica, política e cultural. Portanto, a história da África não pode ser pensada a partir do contato com o mundo ocidental. Antes da chegada dos europeus, as sociedades africanas já tinham a sua própria história. A fase da história africana anterior à chegada dos europeus e depois marcada pelas relações entre eles os africanos foi convencionalmente chamada de África pré-colonial e durou aproximadamente do século IX ao XIX.

1

No ano 1000, havia na África povos nômades e povos sedentários. Alguns deles possuíam governos centralizados; outros estavam organizados em aldeias, formadas por conjuntos de famílias que viviam sob o comando de conselhos de anciãos e de chefes de clãs:

“[...] várias formas de Estado existiram na África. O clã ou linhagem é a forma rudimentar do Estado; seus membros reconhecem um ancestral comum e vivem sob a autoridade de um chefe eleito ou de um patriarca, cuja função essencial é zelar por uma divisão equitativa dos ganhos do grupo[...].O reino congregava vários clãs, sendo o rei, freqüentemente, um chefe de clã que impôs sua autoridade a outros clãs [...]”.[2]

Algumas sociedades africanas pré-coloniais, sob o comando de chefes poderosos, ampliaram suas áreas de influência e dominaram outros povos, transformando-se, assim, em impérios. Entre eles, destacou-se o Egito, o Mali, Songai, Ifé, Benin, Gana, Congo, Zimbabué. Outras eram agrupamentos muito pequenos de pessoas que caçavam e coletavam o que a natureza oferecia ou plantavam o suficiente para o sustento da família e do grupo. Das mais simples às mais complexas, se organizavam a partir da fidelidade ao chefe e das relações de parentesco.

O chefe de família, cercado de seus dependentes e agregados, era o núcleo básico de organização na África. Quanto mais poderoso um chefe mais mulheres ele tinha. Maior seriam seus laços de solidariedade e fidelidade, pois os casamentos garantiam alianças entre os grupos. Sendo assim, quanto maior a descendência maior o prestígio, pois o poder era medido pela quantidade de pessoas subordinadas a um chefe.

2

Nas sociedades africanas a orientação de tudo na vida era dada pelo contato sobrenatural. O mundo natural é o concreto, que tocamos, sentimos, no qual vivemos. O mundo social é o resultado da nossa vida em grupo e em determinado meio ambiente. O mundo sobrenatural é o das religiões, da magia, ao qual os homens só têm acesso parcial, por meio de determinados ritos e cerimônias.

Todo conhecimento dos homens vinha dos mais velhos e dos ancestrais que mesmo depois de mortos continuavam influenciando a vida.

A religião estava presente no exercício do poder, na aplicação das normas de convivência do grupo, na garantia da harmonia e do bem- estar da comunidade. O mundo era decifrado e controlado pela religião, que nessas sociedades tinha um papel equivalente ao que a ciência e a tecnologia têm para a nossa sociedade.

3

Parte das sociedades africanas praticava a agricultura para subsistência, mas muitas delas se dedicavam ao comércio e às trocas de produtos artesanais e agrícolas ou à exploração de jazidas de ouro e de pedras preciosas, como o diamante.

O comércio era uma forma importante das sociedades se relacionarem, trocando não só mercadorias como idéias e comportamentos. Ou seja, o comércio é atividade das mais presentes na história de várias regiões da África, e por meio dele as sociedades mantinham contato uma com as outras. Os produtos eram negociados por pessoas vindas de longe, com costumes e crenças diferentes que algumas vezes eram incorporados, misturando-se às tradições locais. A vitalidade do comércio dentro do continente africano, de curta, média e longa distância, põe por terra a idéia de sociedades isoladas umas das outras, vivendo voltadas apenas para si mesmas.

4

Outra questão a ser levantada é o fato de comumente ouvirmos falar que já existia escravidão na África antes da chegada dos europeus.

E, de fato, isso é verdade. Escravizavam-se os criminosos, os que não pagavam dívidas e também prisioneiros de guerra. Mas os cativos podiam trabalhar para seus senhores por certo tempo, geralmente de dois a quatro anos, e recebiam um pedaço de terra para seu sustento. Também podiam se casar e desempenhar funções administrativas e militares. A condição dos escravos na África era, no entanto, muito diferente da dos africanos que mais tarde foram escravizados no Brasil. E é importante destacar que as sociedades africanas não foram escravocratas, isto é, a escravidão não era a única nem a principal instituição social.

Ao longo desta unidade e nos próximos textos estudaremos a diversidade de organizações econômicas, sociais e políticas existentes entre povos africanos que se destacaram e formaram grandes reinos. Além do contato dos africanos com árabes e europeus e suas influências culturais no Brasil. Por estas e outras conhecer a história da África nos faz conhecer melhor nossa própria história do Brasil Africano.

Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania)

PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. 2ed.São Paulo: Ática,2007.

Roteiro de Atividades:

1- Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.

2- Preencha as linhas em branco do texto, criando subtítulos de acordo com o assunto de cada trecho.

3- Crie quatro perguntas relacionadas a este texto e responda estas perguntas em seu caderno.



[1] Preparado pela Profa. Alinne Grazielle Neves Costa para os sétimos anos de 2010. As referências bibliográficas utilizadas na preparação do presente material didático constam ao seu final.

[2] NIANE, Djibril Tamsir(coord.).História Geral da África: a África do século XII ao século XVI. São Paulo: Ática/Unesco,1988.p33-4

DANÇAS AFRICANAS

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Textos África para os 7º anos


Texto 1

[...] a história mais legal sobre a África é sobre os seus contadores de histórias, que não escrevem nenhuma delas: guardam todas na memória e depois recontam essa arte desde pequenos , com mestres , e acompanham os feitos das famílias, dos reis , aumentando e enriquecendo a história de todos os seus antepassados.Uma história que as pessoas aprendem a conhecer assim: ouvindo historias.

Imagine só o tamanho da memória dos contadores! (Quantos megas deve ter?) Por isso a palavra tem uma dimensão sagrada: é através da fala que o mundo continua a existir no presente.

[...] griot é como os franceses chamaram os diélis, que é o nome bambara para estes contadores de histórias. Os diélis são poetas e músicos.Conhecem as muitas línguas da região e viajam pelas aldeias, escutando relatos e recontando a história das famílias como um conhecimento vivo.Diéli quer dizer sangue, e a circulação do sangue é a própria vida. A força vital.

LIMA, Heloísa Pires.História da Preta. São Paulo: Companhias das Letrinhas, 1998.p23 e 26

Texto 2

O griot era o individuo encarregado de preservar e transmitir as histórias, lendas e canções de seu povo. O cargo de griot passava de pai para filho.Existiam vários tipos de griots: os músicos, que cantavam e tocavam vários instrumentos e eram responsáveis pela preservação de canções importantes para o grupo; os contadores de histórias, capazes de contar com detalhes histórias que ouviram quando crianças; havia também os que guardavam feitos de grandes guerreiros, batalhas e acontecimentos considerados marcantes para repetir em ocasiões especiais; os griots comediantes, que contavam casos engraçados para divertir o público nas aldeias, que visitavam regularmente.

Os griots eram procurados por muitos reis africanos para professores particulares de seus filhos.Eles ensinavam arte, conhecimento de plantas, tradições, histórias e davam conselhos aos jovens príncipes. Uma das frases mais divulgadas pelos griots professores que chegou aos nossos dias é : “ Cada dia se aprende algo novo; basta saber ouvir.”

BOULOS Junior, Alfredo. História: sociedade & cidadania.1.ed.São Paulo:FTD, 2006.p.

Dois olhares sobre África



1-

“[ A África ] não tem interesse histórico próprio, senão o de que os homens vivem ali na barbárie e na selvageria, sem fornecer nenhum elemento à civilização.”

HEGEL. Filosofia da história universal. Citado em HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.p.20.

2-

“Para compreendermos a cultura material das sociedades africanas, a primeira questão que se impõe que é a imagem que até hoje pendura da África, como se até sua ‘descoberta’ fosse esse continente perdido na obscuridade dos primórdios da civilização, em plena barbárie, numa luta entre homem e natureza. De fato, a história dos povos africanos é a mesma de toda humanidade: a da sobrevivência material, mas também espiritual, intelectual e artística, o que ficou à margem da compreensão nas bases do pensamento ocidental, como se a reflexão entre homem e cultura fosse seu atributo exclusivo, e como se natureza e cultura fossem fatores antagônicos.”

SALUM, Marta Heloisa Leuba. África: culturas e sociedades – guia temático para professores. São Paulo: MAE/ USP, 1999.

Extraído: Projeto Araribá: história/ organizadora Editora Moderna: obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. – 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

ATIVIDADES:

Estes textos apresentam duas opiniões, uma positiva outra negativa, sobre a importância histórica do continente africano.

Após leitura, levantar as seguintes questões:

1- Qual a idéia central dos dois textos?

2- Qual a opinião de Hegel sobre os povos africanos? E qual a opinião de Salum?

3- Qual o modelo de civilização em que Hegel se baseia para ter esse pensamento?

Partindo destes textos separe a sala em grupo e monte um júri simulado.

Caso: África

Julgamento: África tem ou não tem interesse histórico?

Grupo de defesa

Grupo de acusação

Júri

Juiz

Professor: Neste trabalho não há “sentença” ou resultado correto ou errado, deixe que os alunos decidam, escolhendo o grupo que apresentou os melhores argumentos.