quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A formação de São Pedro de Uberabinha, hoje Uberlândia: bandeirantes e sesmeiros

texto produzido pela Profa. Aléxia Pádua Franco da Eseba, UFU, a partir de fontes históricas coletadas pelos alunos do 5º ano, em 2009.

Depois que os bandeirantes abriram estradas pelo Sertão da Farinha Podre (hoje, Triângulo Mineiro) e conquistaram as regiões antes habitadas pelos índios que foram mortos ou expulsos para longe, o Rei de Portugal doou estas terras para colonos que deveriam povoá-las e torná-las produtivas conforme os interesses do governo português.
Para escolher para quem doar as terras, chamadas de sesmarias, os funcionários do rei “avaliavam os candidatos considerando o status social, qualidades pessoais e serviços prestados à coroa” , verificando se o colono que receberia a terra tinha recursos para nela construir casas, criar animais e plantar cereais e outros produtos agrícolas. Desta forma, estas terras não eram doadas para índios, negros ou brancos pobres.
Nas sesmarias eram construídas, pelos sesmeiros e seus escravos negros, capelas, escolas, armazéns para vender alimentos, roupas, ferramentas, que davam origem a pequenos arraiais que depois se transformaram nas cidades triangulinas de hoje.
Vamos ler uma narrativa retirada da fonte histórica coletada pelos alunos Vinícius Faleiros (4ª B), Andressa (4ª C), Gabriela Alves (4ª C), no site www3.uberlandia.mg.gov.br/cidade_historia.php: Uberlândia, uma história de muitos (Primeiros posseamentos do Município; A chegada dos Carrejos; O surgimento do Patrimônio da Santa; A Capela), que conta a história do sesmeiro João Pereira Rocha e de outras famílias como os Carrejo que iniciaram a ocupação da região onde hoje é Uberlândia, a partir de 1817 :

Segundo os manuscritos cedidos por descendentes do Sr. João Pereira, os primeiros posseamentos tiveram início em 1817 e não em 1818 como até então se acreditava. Neles há relatos de três famílias que saíram de Paraopeba, próximo à Vila Rica, no intuito de demarcarem aqui suas sesmarias: Os irmãos Caetano e José Alves Rezende com suas famílias, acompanhados do cunhado João Pereira da Rocha e ainda o amigo Francisco Rodrigues Rabello, que também trouxe sua família.
Quanto a João Pereira da Rocha, após o mesmo ter palmilhado a região com seus cunhados, retornou à Fazenda Rocha em Cachoeira do Campo em busca de sua família – esposa e onze filhos. Desta vez retomou o velho caminho com seus familiares e seus escravos transportando seus pertences no lombo de burros. Isto porém, ocorreu já em 1818.
Durante a caminhada de exploração e conhecimento de sua sesmaria, João Pereira foi denominando certas áreas e córregos que mais tarde se tornavam nomes de fazendas ou de região, como a Fazenda da Estiva, porque lá estivaram o caminho de acesso ao pasto; o córrego em cuja margem acamparam no dia de São Pedro, recebeu o nome deste Santo e próximo a ele deixaram instalados um casal de escravos da família Lagoinha. Este córrego São Pedro hoje está encoberto pela Avenida Rondon Pacheco.
Enfim, nomes até hoje conhecidos como Letreiro, que foi a denominação dada por Francisco Alves Pereira à área que lhe agradava no trajeto onde deixara suas iniciais no tronco de um pau-terra, e assim sucessivamente, capões a que deram o nome de Marimbondo; Tenda, o local onde levantaram um rancho de pau-a-pique (cobertura de capim) e instalaram uma tenda de ferreiro; o córrego que denominaram por Córrego do Salto em cuja proximidade foi instalada a sede da Fazenda do Salto, além de tantos outros, e por último, a área que alcançaram no dia 04 de outubro de 1818, dia de São Francisco, que deu denominação à conhecida Fazenda São Francisco de Assis.


Segundo o documento, quando foi construída a sede da fazenda Letreiro, Francisco Alves Pereira, necessitando de homens especializados em ferragens, para carros-de-boi e tivera notícias de entendidos no assunto no arraial de Campo Belo do Prata, partiu em busca dos mesmos. Foi então que conheceu a família Carrejo, que contava em seu meio com excelentes profissionais. Entre 1832 e 1835, Francisco travou relações com alguns membros desta família combinando a venda de terras em boas condições, facilitando sua vinda. Para cá se transferiram trazendo suas respectivas esposas e filhos, alguns escravos, animais domésticos e apreciáveis quantidade de víveres, sementes e instrumentos agrícolas.Adquiriram terras de José Diogo da Cunha e parte das terras de João Pereira da Rocha.
Luís Alves Carrejo, proprietário de maior extensão, para equilibrar as cotas entre eles, facilitou a aquisição de seus excessos pelos quotistas menores. Ficou com a parte que é hoje a fazenda Olho D’Água. Francisco Alves Carrejo posseou a da Laje, Felisberto instalou-se na fazenda da Tenda; Antônio Alves Carrejo ficou com a que denominou Marimbondo.
Nesta época já existia um grande povoado às margens do córrego São Pedro do Uberabinha (hoje Avenida Rondon Pacheco), iniciado com os escravos deixados lá por João Pereira da Rocha e mais as famílias que foram chegando para tocar lavouras na Sesmaria São Francisco.
No ano de 1842, em reunião convocada pelos habitantes da redondeza foram nomeados, como seus procuradores para conseguir autorização para construir uma capela perto de onde moravam, Francisco Alves Pereira e Felisberto Alves Carrejo. Inicialmente, conseguiram permissão junto às autoridades eclesiásticas e partiram em busca do local mais adequado. A área escolhida, pertencente à fazenda do Salto, localizava-se à margem de confluência do ribeirão São Pedro com o rio Uberabinha e pertencia a vários proprietários, sendo Francisca Alves Rabelo (viúva de João Pereira da Rocha), detentora de maior parte. Negociou-se a compra de cem alqueires pelo valor de quatrocentos mil réis, a serem pagos à prestação (vários habitantes da região ajudaram no pagamento destas prestações). Então, a área localizada entre o ribeirão São Pedro (hoje Rondon Pacheco) e o córrego das Galinhas (hoje Cajubá e que se encontra canalizado dando lugar a Av. Getúlio Vargas), é que compôs o território do patrimônio da Santa, onde deveria ser construída a Capela.
Em seguida foi determinar uma área de dois alqueires para pasto de aluguel, cuja renda seria convertida para a construção da capela projetada.
Ao redor desta Capela o povoado iniciado às margens do Córrego São Pedro foi crescendo e, em 1857, ele foi reconhecido oficialmente pelo Juiz Municipal de Uberaba, com o nome de “Arraial de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha” , que tornou-se um distrito da cidade de Uberaba.

LUGARES DE PRESERVAÇÃO DAS FONTES HISTÓRICAS EM UBERLÂNDIA

Indicação bibliográfica que deve ser usada para se veicular o texto em outros espaços: texto produzido pela Profa. Aléxia Pádua Franco a partir das pesquisas realizadas por seus alunos de 5º ano, da Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia, em 2010.


Nas nossas aulas de História, quando procuramos fontes para encher o nosso Baú da Memória sobre Uberlândia, descobrimos a existência de muitas e diferentes fontes que podem nos ajudar a estudar e conhecer melhor o passado da cidade onde moramos, mesmo sem ter vivido nele.
Essas fontes materiais, arquitetônicas, iconográficas, escritas e orais, na maioria das vezes, construídas ou elaboradas há vários anos atrás, só existem até hoje por causa do interesse e do trabalho de diferentes pessoas que se preocuparam em preservá-las, ou seja, não deixar que elas estragassem ou sumissem.
Algumas dessas pessoas são nossos avós, tios, pais, vizinhos e amigos que, em suas casas, formaram Arquivos Familiares onde guardam fotos, objetos, cartas, livros, revistas, documentos sobre acontecimentos e lugares do passado, além de suas memórias. Muitos de vocês trouxeram fontes destes arquivos familiares. Lembram?
No 5ª A, Maria Júlia e Mohana trouxeram, gravado em CD, a memória de seus vizinhos do Bairro Fundinho; Lauanne (5º A) trouxe o ferro a brasa que era usado por sua bisavó; Brunna (5ºC) narrou as lembranças de sua avó sobre o Quebra-Quebra que aconteceu, em Uberlândia, em 1959; Brunno (5ºC) trouxe moedas de cruzeiro usadas antigamente em Uberlândia e em todo o Brasil.
Além destas fontes achadas nos Arquivos Familiares, outros colegas também trouxeram fontes preservadas em lugares públicos que todos nós podemos visitar. Estes lugares são próprios para guardar, preservar, restaurar e expor fontes históricas da cidade para que possam ser pesquisadas, consultadas, observadas pelos interessados. Eles são o Museu Municipal de Uberlândia pesquisado por João Lucas e Arthur (5ºB), Vinícius Gomes (5º A) e Ana Júlia (5ºB), o Arquivo Público de Uberlândia onde foi a Fernanda (5ºA) , o Museu do Índio visitado por Sara e Mariah (5ºA) e Laura e Mariana (5ºB) ,o Centro de Pesquisa e Documentação em História da Universidade Federal de Uberlândia, a Biblioteca Municipal onde a Sabrina (5ºA) fez a sua pesquisa e o Museu da Pessoa onde Guilherme (5ºA), Gabriel (5ºB) e Gustavo (5ºC) encontraram a sua fonte histórica. Vamos conhecer um pouquinho sobre cada um deles!

O Museu Municipal de Uberlândia tem, principalmente, fontes materiais (mais de 1500 peças) e algumas escritas e iconográficas que registram os primeiros tempos de Uberlândia. Muitas delas estão organizadas na exposição permanente “Nossas Raízes” que todos podem visitar e que conta um pouco a história do contato entre os índios que moravam na região no final do século XVIII e os bandeirantes vindos de São Paulo, a vida nas primeiras fazendas, a formação do primeiro bairro da cidade – Fundinho, e a vida da população uberlandense no final do século XIX e início do século XX.
Neste Museu também são montadas exposições temporárias sobre vários aspectos da vida de nossa cidade no passado (móveis usados antigamente pelos moradores de Uberabinha e pelos vereadores na Câmara Municipal, máquinas fotográficas e fotos antigas da cidade; teares usados pelas mulheres para fazerem tecidos, mantas e toalhas).
- End.: Pça Clarimundo Carneiro, s/nº
- Tel: 3214-0068; 3235-0971
- Horário de Funcionamento: segunda à sexta das 8h às 18h; 2º sábado do mês das 16hs às 20hs.
- Site na Internet: http://www.uberlandia.mg.gov.br/cidade_museu.php

O Arquivo Público Municipal (ARPU) tem um maior número de fontes escritas (diários de escola, jornais, revistas, atas de reuniões dos vereadores e prefeitos, relação de eleitores e outros documentos produzidos pela Administração Municipal) e iconográficas (mais de 15 mil fotos de famílias, de diferentes bairros e festas da cidade) que registram a memória de diferentes acontecimentos, pessoas e épocas de Uberlândia. Estas fontes ficam organizadas e guardadas em estantes que os visitantes podem consultar para pesquisar sobre diferentes assuntos da história da cidade.
- End.: Rua Natal, 935 – Bairro Brasil
- Tel.: 3232-4744//3232-9022
- Horário de Funcionamento: de segunda a sexta-feira das 7h30min às 17h15min.
- Site na Internet: http://www3.uberlandia.mg.gov.br/secretaria.php?id=10&id_

O Museu do Índio tem fontes materiais, iconográficas, escritas sobre diferentes comunidades indígenas do Brasil como os Karajá, Tapirapé, Erigpatsá, Maxacali e Kadiwéu. De abril a julho de 2010, ele está apresentando a exposição “Ritual da Imagem Arte Asurini do Xingu”, onde os visitantes podem conferir arte cerâmica, grafismo, pintura corporal e peças desta comunidade indígena que vive em aldeias no estado do Pará com população estimada em mais de 220 índios e falam o tupi-guarani.
- End: Rua Vitalino Rezende do Carmo, 116 – Bairro Santa Maria
- Tel.: 3236-3707//3224-3526
- Horário de Funcionamento: segunda às sextas-feiras de 9-12hs e de 14h às 17h.

O Centro de Pesquisa e Documentação em História (CDHIS) tem um arquivo com fontes escritas e iconográficas sobre diferentes aspectos, lugares, pessoas da história de Uberlândia e região e sobre os movimentos populares (sindicatos, associações de bairro, ...), além de fontes materiais e orais (discos antigos) com músicas que tocavam nas antigas rádios de nossa cidade.
- End: Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia - Bloco Q
- Tel: 3239-4501
- Horário de Funcionamento: 2ª a 6ª feira das 8hs às 11hs; das 13hs30 às 17hs.
- Site na Internet: http://www.inhis.ufu.br/historia.php?id=arquivocdhis.htm

A Biblioteca Municipal de Uberlândia “Juscelino Kubitschek de Oliveira” tem uma sala com vários livros e recortes de jornais sobre diferentes acontecimentos da história da cidade.
- End: Praça Cícero Macedo, s/nº
- Tel: (34) 3236-9625 / 3234-1600
- Horário de Funcionamento: 2ª a 6ª - 8h15 às 18h45 / sábado - 8h às 11h45

O Museu da Pessoa é um museu virtual (que só funciona na Internet) em que todas as pessoas podem registrar suas histórias de vida e consultar o acervo de histórias registradas por outras pessoas de todo o Brasil. Ele também registra a história de diferentes instituições brasileiras como a Petrobrás, a Rede Globo, etc. Neste museu, há uma parte organizada pela Instituto Algar, empresa de Uberlândia, com depoimentos de vários moradores mais antigos de Uberlândia que lembram de diferentes aspectos de sua vida no passado: brincadeiras, amigos, lugares da cidade que freqüentavam, etc.
- End: http://www.museudapessoa.net/ctbc/acervo.html: museu virtual

Quando possível, visite estes lugares de preservação da memória de Uberlândia! Este é um interessante passeio cultural que você pode realizar com seus familiares para observar como as fontes históricas são preservadas e para procurar mais fontes para colocar no nosso Baú da Memória. Elas nos ajudarão a estudar e conhecer a história de nossa cidade, pois como descobrimos no texto 8 ainda não temos fontes sobre algumas das questões que vocês querem conhecer sobre a história de Uberlândia.

Produções de alunos sobre fontes históricas II

As Fontes Históricas
(texto produzido sob orientação da Profa. Aléxia Pádua Franco)

Lucas Carvalho Carrijo Madurro (aluno da Eseba - 5ªs -2003)

Você tem idéia do que o historiador usa para pesquisar? Pois é o que eu vou falar para vocês.
Existem cinco tipos de fontes: a escrita como passaporte, currículos, diários; a material como objetos de casa e bonecos; a iconográfica como fotos, imagens, figuras; a oral como gravações, depoimentos de amigos; a arquitetônica como a casa, a escola.
A utilidade destas fontes é que ela são a base de pesquisa para o historiador, de onde ele retira informações (nunca completas) para escrever a história de alguém.
E quem produz as fontes? A própria pessoa pesquisada, além de amigos, parentes e até pessoas que ela não conhece, mas que viveram em sua época (o padre que escreveu a lembrança de batismo da professora, o produtor de brinquedos que fez os bonecos da professora e assim vai).
A propósito, as fontes também contam a história de grupos sociais como nas fotos de professora: nós podíamos falar dos seus alunos, dos turistas brasileiros na Europa, etc.
O historiador não consegue contar toda a história de uma pessoa ou grupo social por muitos motivos. Um deles é que a fonte pode ter informações insuficientes, por isso o historiador pode não deduzir exatamente correto o acontecimento que ela registra. Um exemplo é a foto da professora com seus alunos na escola rural - nós deduzimos que eles eram apenas seus amigos, porque a foto não tinha legenda. Outro motivo é a não interpretação exata das fontes, por causa das letras ilegíveis ou imagens não nítidas. O exemplo é o diário de bebê da professora - não conseguimos aproveitá-lo muito por causa da caligrafia de sua mãe. Um terceiro motivo é que nem tudo que acontece é registrado em fontes. Um exemplo é o fato de ninguém da família da professora se lembrar do castigo que ela recebeu pelo fato de ter machucado sua irmã, pois foi um dia muito difícil.
Além disso tudo, não é sempre que o historiador acha todas as fontes sobre o assunto que ele está pesquisando, porque o dono das fontes pode não emprestá-las, elas podem ser destruídas por guerras, como o Bush está destruíndo os sítios arqueológicos do Iraque, ou até mesmo as fontes podem ter sido comidas por insetos.
Enfim, sem as fontes históricas, o historiador não consegue fazer qualquer história. Por isso, elas são tão importantes quanto o lápis para o historiador.

Produções de alunos sobre fontes históricas I

A arte revelando o passado
(texto produzido em agosto de 2002, sob orientação das professoras Aléxia Pádua Franco - História, e Marileusa de Oliveira Reducino - Artes)

Luís Fernando, Jonnathan, Ewerton, Guilherme Dornelas, Patrick, Guilherme Augusto, Cinara, Camila, Agatha, Artur, Bárbara (alun@s da Eseba, em 2002)

A partir dos estudos que fizemos nas 5º séries, no ano de 2002, descobrimos que as fontes históricas servem para nos ajudar a pesquisar, revelar, relembrar o nosso passado, como era a cultura, a maneira de viver, o governo, as condições de trabalho e moradia de homens e mulheres que aqui habitaram e habitam.

Estudar o passado é importante para enriquecermos nosso conhecimento e percebermos as mudanças e as permanências do passado para o presente. Assim, podemos construir o nosso futuro com mais segurança e participação.

Para conseguirmos realizar estes estudos, necessitamos preservar as fontes escritas, orais, iconográficas , arquitetônicas e materiais, produzidas por pessoas de qualquer grupo social que ajudaram a fazer nossa história. Para tanto, é muito importante a existência de arquivos, museus, bibliotecas, centros de documentação que só sobreviverão se não nos preocuparmos apenas com a modernidade, mas também com nossos antepassados.

Se pensarmos apenas no progresso, vamos destruir grande parte da nossa história, e assim correremos o risco de ficarmos VAZIOS, DESINFORMADOS, ESQUECIDOS, PERDIDOS, INSEGUROS E CONFUSOS. Isso é, ficaremos como as telas que produzimos nas artes plásticas: cheios de imagens desconfiguradas, despedaçadas ,destruídas e retalhadas.

Por isso, devemos PRESERVAR nossa memória histórica.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

América pré-colombiana: maias, astecas, incas e povos indígenas do Brasil

Depois de estudarmos sobre a diversidade cultural do continente africano, os árabes e o islamismo nos séculos V ao XVI, vamos conhecer neste texto alguns dos povos que viviam na América no século XV, ou seja, antes da chegada de Cristóvão Colombo, por isso o termo “pré-colombiano”.

Antes da chegada dos europeus, desenvolveram-se no México, na América Central e na região dos Andes civilizações complexas, que nos deixaram importantes registros de seus conhecimentos astronômicos, matemáticos, agrícolas, além de obras arquitetônicas e artísticas de grande refinamento e beleza. No restante das Américas, como no território que hoje corresponde ao Brasil, existiam comunidades indígenas nômades ou seminômades, que viviam basicamente da caça, da pesca e do cultivo de algumas espécies agrícolas, e tinham um modo de vida muito integrado a natureza.

As diferentes ondas migratórias, espaçadas no tempo, que caracterizaram a ocupação das Américas por povos vindos provavelmente da Ásia e da Oceania, explicam, em parte, a grande diversidade cultural aqui encontrada pelos europeus. Entre os povos pré-colombianos havia centenas de línguas e culturas bem diferenciadas como podemos ver no mapa abaixo:

Disponível: http://www.juserve.de/rodrigo/AMERICA/gallerie/Povos%20Pre-Colombianos.jpg.html



Estima-se que, no final do século XV, viviam na América cerca de 50 milhões de pessoas. Elas estavam distribuídas em sociedades muito diversas entre si, do ponto de vista cultural, política, econômica e social.

Durante muito tempo, pensou-se que as sociedades americanas fossem predominantemente tribais, sem nenhuma forma de centralização política. De fato, a forma tribal de organização foi comum em muitas regiões, mas hoje se sabe que outras grandes civilizações se desenvolveram no continente americano muito antes da conquista europeia.

Essas civilizações apresentavam algumas características comuns: agricultura como principal atividade econômica, favorecida por técnicas de irrigação do solo; o domínio de técnicas aprimoradas de artesanato; atividades comerciais; práticas religiosas politeístas; forte tradição guerreira; conhecimentos matemáticos e de astronomia.

MAIAS

A civilização maia, praticamente desaparecida na época da conquista espanhola, desenvolveu-se na área que corresponde ao sul do atual México, à Guatemala, Belize e Honduras e atingiu seu auge no fim do século IX. Arqueólogos especulam que guerras ou o esgotamento das terras cultiváveis levaram a civilização a um rápido declínio a partir do ano 900. Apesar de não haver números confiáveis acerca do tamanho do império, existem atualmente cerca de 4 milhões de descendentes de maias, o que dá uma ideia da grandiosidade de sua população.

Os maias organizavam-se em cidades- Estados governadas por chefes cujo poder era hereditário. O chefe de cada cidade exercia funções políticas e religiosas. A sociedade maia era extremamente hierarquizada. Cada cidade tinha uma autoridade máxima assessorada por nobres e sacerdotes. Na escala social seguiam-se os artesãos e trabalhadores livres, a maioria agricultores, que deviam pagar tributos para o governo. O pagamento desses tributos tinha uma conotação sagrada e constituía-se de parte da produção agrícola e prestação de trabalho, como reparo e construção de estradas.

A agricultura constituía a base da economia. O principal produto era o milho, tão importante que, segundo os mitos maias, os deuses o haviam utilizado como matéria-prima para criar o homem. Os maias também cultivavam cacau, algodão, feijão, pimenta, sisal, abóbora, mamão e abacate.

Os maias eram estudiosos das estrelas e dos planetas e tinham muitos conhecimentos de astronomia. Fizeram previsões de eclipses solares e lunares com grande precisão. Elaboraram calendários e calcularam a duração do ano próxima da que temos atualmente. Na matemática, conheciam o zero e criaram uma nova numeração, o que possibilitou o desenvolvimento de cálculos astronômicos.

Tikal, localizada nas florestas de Guatemala, foi uma das cidades mias importantes da antiga civilização maia. A área onde se ergueu a antiga cidade forma atualmente o Parque Nacional de Tikal. Além dos templos e de um pequeno museu, contendo delicadas peças de cerâmica e esculturas em jade, a área abriga bosques antigos contendo espécies vegetais raras e mamíferos da região. O parque de Tikal foi declarado pela Unesco patrimônio da humanidade.

Os edifícios construídos em Tikal no período clássico tornaram-se modelo para a arquitetura maia. A cidade passou a contar com grandes palácios e templos em forma de pirâmides, havia um templo com 70 metros de altura, o maior edifício erguido na América Antiga.

ASTECAS

Também conhecidos como mexicas, os astecas eram originalmente povos nômades, guerreiros e caçadores. Provavelmente originários do sul do atual território norte-americano, emigraram para a região do México e lá se estabeleceram no século IV, fundando o núcleo inicial da futura cidade de Tenochtitlan (atual cidade do México). Enquanto seus “vizinhos” maias entraram em decadência, os astecas começaram a crescer por volta do século XII.

Quando os espanhóis chegaram à região, no século XVI, os astecas dominavam um poderoso império no vale central do México, formado por 38 províncias, sujeitas ao pagamento de impostos ao governo asteca.

A agricultura era à base da economia. Os astecas construíram terraços sobre a água dos lagos, no quais cultivavam flores e hortaliças. Essas pequenas ilhas artificiais, feitas com a lama acumulada nas margens dos lagos, recebiam o nome de chinampas.

Os astecas ampliaram seu território por meio da guerra: conquistaram cidades e povos vizinhos, transformando-se em um vasto império que chegou a reunir 11 milhões de pessoas. Para eles, a guerra também tinha uma dimensão religiosa. Acreditavam ser o povo escolhido pelo deus Sol, Huitzilopochtli, destinado a conquistar e dominar outros povos. Segundo sua tradição, os guerreiros que morressem lutando atingiam o paraíso.

Assim como os maias, os astecas eram politeístas e tinham o costume de construir templos para os distintos deuses: Tlaloc, deus da chuva e do trovão; Quetzalcoatl, deus do vento, da escrita, do calendário e das artes e muitos outros. Às vezes eram templos grandiosos, na forma de pirâmides. Neles realizavam cultos religiosos e sacrifícios humanos. Geralmente as vitimas oferecidas em sacrifícios eram prisioneiros de guerra ou escravos.

Com a compreensão do Codex Medonza, os historiadores puderam ter mais informações a respeito da educação na sociedade asteca. A palavra codex refere-se ao conjunto de desenhos e escritos feitos pelos astecas e por outros habitantes da região do México, entre 1541 e 1542. Neles os nativos descrevem eventos importantes da sua história e cenas da vida cotidiana relacionadas à comida, bebida, diversão e educação. O mais conhecido foi o Codex Medonza.

A educação das crianças parece ter sido uma das principais preocupações dessa sociedade. De acordo com o Codex, a educação era essencialmente prática, mas também severa. Pais e tutores castigavam as crianças que, na visão deles, não queriam estudar. Essas crianças podiam ser arranhadas com espinhos ou obrigadas a respirar fumaça de uma fogueira onde queimavam pimentas vermelhas.

Os astecas tinham um calendário com cálculo preciso do ano solar (com 365 dias). Médicos astecas podiam consolidar os ossos quebrados e fazer obturação em dentes. O planejamento urbano era impecável. Suas obras públicas incluíam quilômetros de estradas e aquedutos. A capital Tenochitlán foi erguida em área pantanosa, cuidadosamente drenada e aterrada para comportar cerca de 100 pirâmides e torres.

INCAS

Na America do Sul, os incas “filhos do Sol” habitavam a região andina onde expandiram seu império a partir da cidade de Cuzco, no território que corresponde ao atual Peru. No século XV, expandiram suas fronteiras, chegando a dominar grande parte das áreas que hoje compõem o Peru, Bolívia, o Equador e o norte da Argentina e do Chile. Os incas chamavam seu grande império de “As Quatro Terras” ou “Os Quatro Cantos do mundo”, Tawantinsuyu.

Os incas adotaram uma maneira peculiar de dominar outros povos: antes de estabelecer o domínio em uma região, eles procuravam convencer a população das vantagens de se tornar membros do Império Inca. E os guerreiros faziam questão de destacar a importância do culto ao Sol e da língua quíchua.

O imperador Inca se esforçava para manter o controle do império, nomeando uma espécie de governador para administrar cada região e prestar contas. Os cobradores de impostos exerciam importante função administrativa.

Eles se notabilizaram pelos conhecimentos contábeis, pela organização do trabalho, pela construção de estradas e pela criação de um sistema de correios. Para facilitar a complicada contabilidade da produção agrícola, que também era à base da economia, os incas utilizavam cordões com nós chamados quipus (Os incas não tinham escrita, mas um complexo sistema de informações que consistiam em cordões coloridos nos quais se faziam vários nós. A cor e a quantidade de nós registravam diferentes informações, como a produção de alimentos, o número de habitantes do império e o valor dos tributos.). Além da função econômica, os quipus eram utilizados também para registrar o censo populacional e outros números importantes para os administradores públicos.

As terras do Império Inca eram cortadas por uma rede de estradas talhadas nas encostas das montanhas, percorridas por caravanas de lhamas e pelos mensageiros do imperador. As estradas eram pavimentadas com pedras e tinham uma extensão de mais 23 mil quilômetros, unificando todas as partes do império. A construção das estradas era assegurada pela mita, sistema de distribuição de tarefas pelo qual os camponeses eram obrigados a prestar serviços ao Estado durante alguns dias do ano.

O principal vestígio da civilização inca é a cidade de pedra de Machu Picchu, no Peru que sobreviveu à conquista espanhola. A cidade foi construída no topo de uma montanha no Vale do Rio Urubamba, a cerca de 2.400 metros de altitude. Abandonada por seus habitantes em época incerta, a cidade ficou coberta pela vegetação até ser encontrada pela expedição do arqueólogo norte-americano Hiram Binghan, em 1911 e tornar-se um importante patrimônio cultural da humanidade visitado por milhares de turistas todos os anos. Acredita-se que a cidade tenha sido um local de cultos realizados pelas Virgens do Sol, pois a grande maioria dos restos mortais encontrados ali era de mulheres e crianças.

POVOS INDÍGENAS DO BRASIL

Estima-se que, quando os portugueses chegaram às terras que hoje chamamos de Brasil, viviam na região mais de 3 milhões de pessoas, falando mais de mil línguas. As diferenças culturais entre os diversos grupos indígenas eram imensas.

Disponível: manmessias21.blogspot.com

De acordo com a classificação lingüística, os povos indígenas do Brasil se dividiam nos grupos tupi (ou tupi-guarani), jê, caraíba e aruaque, além de grupos menores, como podemos ver no mapa acima. Diversos grupos indígenas ainda vivem hoje de forma parecida à que se vivia na época do “descobrimento" da América. Outros fazem esforços para preservar suas tradições e manter suas terras.

Os povos indígenas estão espalhados por todo território. A maioria vive em terras indígenas, ou seja, terras de uso exclusivo dos índios, demarcadas e reconhecidas pelo governo federal. De acordo com a Constituição de 1988, os índios têm o direito de viver nas terras que tradicionalmente ocuparam. Além disso, garante-se aos índios a posse permanente e o uso exclusivo das riquezas do solo, dos rios, e dos lagos neles existentes.

Muitas terras indígenas estão localizadas em áreas ricas em recursos naturais, como madeiras e minérios, despertando o interesse dos não índios. As invasões às terras indígenas e a exploração de seus recursos por não índios têm sido causa de inúmeros conflitos, muitas vezes resultando em mortes.

Antes da chegada dos portugueses, os povos indígenas do Brasil viviam em aldeias, consumiam para sobrevivência, ou seja, não acumulavam excedentes, havia trocas comerciais sem utilizavam de moedas, os bens eram coletivos e não havia diferenças sociais.

Os primeiros contatos dos europeus com os índios brasileiros foram feitos com os tupis, que habitavam toda a costa atlântica. As aldeias tupis localizavam-se em áreas bem servidas de água, madeira e caça. Cada aldeia tinha uma população que variava de 500 a 3 mil pessoas, distribuída em quatro a oito habitações. Cada moradia tinha um líder, chamado principal. As relações entre as aldeias variavam de tempos em tempos: os aliados de hoje podiam ser os inimigos de amanhã. Os povos não tupis eram chamados de tapuias.

Os povos indígenas eram guerreiros. Frenquentemente, as batalhas eram provocadas por rivalidades entre tribos, muitas vezes decorrentes de eventos ocorridos em gerações ancestrais. Antes e depois das principais batalhas, celebravam-se cerimônias, nas quais os guerreiros tatuavam várias partes do corpo. Nessas cerimônias, eles consumiam substâncias alucinógenas e invocavam os espíritos. O objetivo das guerras era capturar prisioneiros para vingar os antepassados, e não exterminar os povos inimigos ou ocupar territórios.

A “conquista” da América representou um dos maiores genocídios (assassinato em massa que leva à extinção ou quase de um determinado grupo étnico) registrados na história da humanidade. Milhões de índios morreram e diversos grupos desapareceram, vitimas principalmente de massacres, doenças trazidas pelos europeus e suicídios. Exploraremos este assunto mais adiante.

Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania).

BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao terceiro milênio. 2.ed.São Paulo: Moderna, 2006.

PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

Roteiro de Atividades:

1- Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.

2- Monte no caderno um quadro comparativo sobre os povos estudados neste texto. Observe o modelo:

Nome do povo

Atividades econômicas

Principais realizações

Religiosidade

3- Explique como era a organização do poder entre:

· Os maias;

· Os astecas;

· Os incas;

· Os tupis-guaranis;

Culturas em choque, culturas em trânsito - Parte II

Texto 4 – América pré-colombiana: maias, astecas, incas e povos indígenas do Brasil

Depois de estudarmos sobre a diversidade cultural do continente africano, os árabes e o islamismo nos séculos V ao XVI, vamos conhecer neste texto alguns dos povos que viviam na América no século XV, ou seja, antes da chegada de Cristóvão Colombo, por isso o termo “pré-colombiano”.
Antes da chegada dos europeus, desenvolveram-se no México, na América Central e na região dos Andes civilizações complexas, que nos deixaram importantes registros de seus conhecimentos astronômicos, matemáticos, agrícolas, além de obras arquitetônicas e artísticas de grande refinamento e beleza. No restante das Américas, como no território que hoje corresponde ao Brasil, existiam comunidades indígenas nômades ou seminômades, que viviam basicamente da caça, da pesca e do cultivo de algumas espécies agrícolas, e tinham um modo de vida muito integrado a natureza.
As diferentes ondas migratórias, espaçadas no tempo, que caracterizaram a ocupação das Américas por povos vindos provavelmente da Ásia e da Oceania, explicam, em parte, a grande diversidade cultural aqui encontrada pelos europeus. Entre os povos pré-colombianos havia centenas de línguas e culturas bem diferenciadas como podemos ver no mapa abaixo:

Estima-se que, no final do século XV, viviam na América cerca de 50 milhões de pessoas. Elas estavam distribuídas em sociedades muito diversas entre si, do ponto de vista cultural, política, econômica e social.
Durante muito tempo, pensou-se que as sociedades americanas fossem predominantemente tribais, sem nenhuma forma de centralização política. De fato, a forma tribal de organização foi comum em muitas regiões, mas hoje se sabe que outras grandes civilizações se desenvolveram no continente americano muito antes da conquista europeia.
Essas civilizações apresentavam algumas características comuns: agricultura como principal atividade econômica, favorecida por técnicas de irrigação do solo; o domínio de técnicas aprimoradas de artesanato; atividades comerciais; práticas religiosas politeístas; forte tradição guerreira; conhecimentos matemáticos e de astronomia.

MAIAS

A civilização maia, praticamente desaparecida na época da conquista espanhola, desenvolveu-se na área que corresponde ao sul do atual México, à Guatemala, Belize e Honduras e atingiu seu auge no fim do século IX. Arqueólogos especulam que guerras ou o esgotamento das terras cultiváveis levaram a civilização a um rápido declínio a partir do ano 900. Apesar de não haver números confiáveis acerca do tamanho do império, existem atualmente cerca de 4 milhões de descendentes de maias, o que dá uma ideia da grandiosidade de sua população.
Os maias organizavam-se em cidades- Estados governadas por chefes cujo poder era hereditário. O chefe de cada cidade exercia funções políticas e religiosas. A sociedade maia era extremamente hierarquizada. Cada cidade tinha uma autoridade máxima assessorada por nobres e sacerdotes. Na escala social seguiam-se os artesãos e trabalhadores livres, a maioria agricultores, que deviam pagar tributos para o governo. O pagamento desses tributos tinha uma conotação sagrada e constituía-se de parte da produção agrícola e prestação de trabalho, como reparo e construção de estradas.
A agricultura constituía a base da economia. O principal produto era o milho, tão importante que, segundo os mitos maias, os deuses o haviam utilizado como matéria-prima para criar o homem. Os maias também cultivavam cacau, algodão, feijão, pimenta, sisal, abóbora, mamão e abacate.
Os maias eram estudiosos das estrelas e dos planetas e tinham muitos conhecimentos de astronomia. Fizeram previsões de eclipses solares e lunares com grande precisão. Elaboraram calendários e calcularam a duração do ano próxima da que temos atualmente. Na matemática, conheciam o zero e criaram uma nova numeração, o que possibilitou o desenvolvimento de cálculos astronômicos.
Tikal, localizada nas florestas de Guatemala, foi uma das cidades mias importantes da antiga civilização maia. A área onde se ergueu a antiga cidade forma atualmente o Parque Nacional de Tikal. Além dos templos e de um pequeno museu, contendo delicadas peças de cerâmica e esculturas em jade, a área abriga bosques antigos contendo espécies vegetais raras e mamíferos da região. O parque de Tikal foi declarado pela Unesco patrimônio da humanidade.
Os edifícios construídos em Tikal no período clássico tornaram-se modelo para a arquitetura maia. A cidade passou a contar com grandes palácios e templos em forma de pirâmides, havia um templo com 70 metros de altura, o maior edifício erguido na América Antiga.


ASTECAS



Também conhecidos como mexicas, os astecas eram originalmente povos nômades, guerreiros e caçadores. Provavelmente originários do sul do atual território norte-americano, emigraram para a região do México e lá se estabeleceram no século IV, fundando o núcleo inicial da futura cidade de Tenochtitlan (atual cidade do México). Enquanto seus “vizinhos” maias entraram em decadência, os astecas começaram a crescer por volta do século XII.
Quando os espanhóis chegaram à região, no século XVI, os astecas dominavam um poderoso império no vale central do México, formado por 38 províncias, sujeitas ao pagamento de impostos ao governo asteca.
A agricultura era à base da economia. Os astecas construíram terraços sobre a água dos lagos, no quais cultivavam flores e hortaliças. Essas pequenas ilhas artificiais, feitas com a lama acumulada nas margens dos lagos, recebiam o nome de chinampas.
Os astecas ampliaram seu território por meio da guerra: conquistaram cidades e povos vizinhos, transformando-se em um vasto império que chegou a reunir 11 milhões de pessoas. Para eles, a guerra também tinha uma dimensão religiosa. Acreditavam ser o povo escolhido pelo deus Sol, Huitzilopochtli, destinado a conquistar e dominar outros povos. Segundo sua tradição, os guerreiros que morressem lutando atingiam o paraíso.
Assim como os maias, os astecas eram politeístas e tinham o costume de construir templos para os distintos deuses: Tlaloc, deus da chuva e do trovão; Quetzalcoatl, deus do vento, da escrita, do calendário e das artes e muitos outros. Às vezes eram templos grandiosos, na forma de pirâmides. Neles realizavam cultos religiosos e sacrifícios humanos. Geralmente as vitimas oferecidas em sacrifícios eram prisioneiros de guerra ou escravos.
Com a compreensão do Codex Medonza, os historiadores puderam ter mais informações a respeito da educação na sociedade asteca. A palavra codex refere-se ao conjunto de desenhos e escritos feitos pelos astecas e por outros habitantes da região do México, entre 1541 e 1542. Neles os nativos descrevem eventos importantes da sua história e cenas da vida cotidiana relacionadas à comida, bebida, diversão e educação. O mais conhecido foi o Codex Medonza.
A educação das crianças parece ter sido uma das principais preocupações dessa sociedade. De acordo com o Codex, a educação era essencialmente prática, mas também severa. Pais e tutores castigavam as crianças que, na visão deles, não queriam estudar. Essas crianças podiam ser arranhadas com espinhos ou obrigadas a respirar fumaça de uma fogueira onde queimavam pimentas vermelhas.
Os astecas tinham um calendário com cálculo preciso do ano solar (com 365 dias). Médicos astecas podiam consolidar os ossos quebrados e fazer obturação em dentes. O planejamento urbano era impecável. Suas obras públicas incluíam quilômetros de estradas e aquedutos. A capital Tenochitlán foi erguida em área pantanosa, cuidadosamente drenada e aterrada para comportar cerca de 100 pirâmides e torres.

INCAS


Na America do Sul, os incas “filhos do Sol” habitavam a região andina onde expandiram seu império a partir da cidade de Cuzco, no território que corresponde ao atual Peru. No século XV, expandiram suas fronteiras, chegando a dominar grande parte das áreas que hoje compõem o Peru, Bolívia, o Equador e o norte da Argentina e do Chile. Os incas chamavam seu grande império de “As Quatro Terras” ou “Os Quatro Cantos do mundo”, Tawantinsuyu.
Os incas adotaram uma maneira peculiar de dominar outros povos: antes de estabelecer o domínio em uma região, eles procuravam convencer a população das vantagens de se tornar membros do Império Inca. E os guerreiros faziam questão de destacar a importância do culto ao Sol e da língua quíchua.
O imperador Inca se esforçava para manter o controle do império, nomeando uma espécie de governador para administrar cada região e prestar contas. Os cobradores de impostos exerciam importante função administrativa.
Eles se notabilizaram pelos conhecimentos contábeis, pela organização do trabalho, pela construção de estradas e pela criação de um sistema de correios. Para facilitar a complicada contabilidade da produção agrícola, que também era à base da economia, os incas utilizavam cordões com nós chamados quipus (Os incas não tinham escrita, mas um complexo sistema de informações que consistiam em cordões coloridos nos quais se faziam vários nós. A cor e a quantidade de nós registravam diferentes informações, como a produção de alimentos, o número de habitantes do império e o valor dos tributos.). Além da função econômica, os quipus eram utilizados também para registrar o censo populacional e outros números importantes para os administradores públicos.
As terras do Império Inca eram cortadas por uma rede de estradas talhadas nas encostas das montanhas, percorridas por caravanas de lhamas e pelos mensageiros do imperador. As estradas eram pavimentadas com pedras e tinham uma extensão de mais 23 mil quilômetros, unificando todas as partes do império. A construção das estradas era assegurada pela mita, sistema de distribuição de tarefas pelo qual os camponeses eram obrigados a prestar serviços ao Estado durante alguns dias do ano.
O principal vestígio da civilização inca é a cidade de pedra de Machu Picchu, no Peru que sobreviveu à conquista espanhola. A cidade foi construída no topo de uma montanha no Vale do Rio Urubamba, a cerca de 2.400 metros de altitude. Abandonada por seus habitantes em época incerta, a cidade ficou coberta pela vegetação até ser encontrada pela expedição do arqueólogo norte-americano Hiram Binghan, em 1911 e tornar-se um importante patrimônio cultural da humanidade visitado por milhares de turistas todos os anos. Acredita-se que a cidade tenha sido um local de cultos realizados pelas Virgens do Sol, pois a grande maioria dos restos mortais encontrados ali era de mulheres e crianças.



POVOS INDÍGENAS DO BRASIL


Estima-se que, quando os portugueses chegaram às terras que hoje chamamos de Brasil, viviam na região mais de 3 milhões de pessoas, falando mais de mil línguas. As diferenças culturais entre os diversos grupos indígenas eram imensas.
De acordo com a classificação lingüística, os povos indígenas do Brasil se dividiam nos grupos tupi (ou tupi-guarani), jê, caraíba e aruaque, além de grupos menores, como podemos ver no mapa acima. Diversos grupos indígenas ainda vivem hoje de forma parecida à que se vivia na época do “descobrimento" da América. Outros fazem esforços para preservar suas tradições e manter suas terras.
Os povos indígenas estão espalhados por todo território. A maioria vive em terras indígenas, ou seja, terras de uso exclusivo dos índios, demarcadas e reconhecidas pelo governo federal. De acordo com a Constituição de 1988, os índios têm o direito de viver nas terras que tradicionalmente ocuparam. Além disso, garante-se aos índios a posse permanente e o uso exclusivo das riquezas do solo, dos rios, e dos lagos neles existentes.
Muitas terras indígenas estão localizadas em áreas ricas em recursos naturais, como madeiras e minérios, despertando o interesse dos não índios. As invasões às terras indígenas e a exploração de seus recursos por não índios têm sido causa de inúmeros conflitos, muitas vezes resultando em mortes.
Antes da chegada dos portugueses, os povos indígenas do Brasil viviam em aldeias, consumiam para sobrevivência, ou seja, não acumulavam excedentes, havia trocas comerciais sem utilizavam de moedas, os bens eram coletivos e não havia diferenças sociais.
Os primeiros contatos dos europeus com os índios brasileiros foram feitos com os tupis, que habitavam toda a costa atlântica. As aldeias tupis localizavam-se em áreas bem servidas de água, madeira e caça. Cada aldeia tinha uma população que variava de 500 a 3 mil pessoas, distribuída em quatro a oito habitações. Cada moradia tinha um líder, chamado principal. As relações entre as aldeias variavam de tempos em tempos: os aliados de hoje podiam ser os inimigos de amanhã. Os povos não tupis eram chamados de tapuias.
Os povos indígenas eram guerreiros. Frenquentemente, as batalhas eram provocadas por rivalidades entre tribos, muitas vezes decorrentes de eventos ocorridos em gerações ancestrais. Antes e depois das principais batalhas, celebravam-se cerimônias, nas quais os guerreiros tatuavam várias partes do corpo. Nessas cerimônias, eles consumiam substâncias alucinógenas e invocavam os espíritos. O objetivo das guerras era capturar prisioneiros para vingar os antepassados, e não exterminar os povos inimigos ou ocupar territórios.
A “conquista” da América representou um dos maiores genocídios (assassinato em massa que leva à extinção ou quase de um determinado grupo étnico) registrados na história da humanidade. Milhões de índios morreram e diversos grupos desapareceram, vitimas principalmente de massacres, doenças trazidas pelos europeus e suicídios. Exploraremos este assunto mais adiante.


(Texto preparado pela Profa. Alinne Grazielle Neves Costa para os sétimos anos de 2010. As referências bibliográficas utilizadas na preparação do presente material didático constam ao seu final)


Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania).
BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao terceiro milênio. 2.ed.São Paulo: Moderna, 2006.
PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.


Roteiro de Atividades:


1- Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.

2- Monte no caderno um quadro comparativo sobre os povos estudados neste texto. Observe o modelo:

Nome do povo
Atividades econômicas
Principais realizações
Religiosidade


3- Explique como era a organização do poder entre:
• Os maias;
• Os astecas;
• Os incas;
• Os tupis-guaranis;

domingo, 3 de outubro de 2010

Texto 1- A África dos grandes reinos e impérios[1]

Como vimos no texto anterior, antes de os europeus escravizarem os africanos, a partir do século XV, e colonizarem a África, no século XIX, diversas sociedades autônomas já existiam nesse continente, ou seja, as sociedades africanas já tinham a sua própria história. Algumas sociedades africanas pré-coloniais, sob o comando de chefes poderosos, ampliaram suas áreas de influência e dominaram outros povos, transformando-se, assim, em impérios e reinos prósperos e organizados, conforme relatos da época. Vamos falar sobre quatro dos grandes reinos africanos: Gana, Mali, Congo e Benin, mas antes faz-se necessário conhecer um pouco mais do retrato físico deste continente.A diversidade social, política e cultural da África ocorreu graças à extensão do continente e suas características geográficas.

A África é cercada a nordeste pelo mar Vermelho, ao norte pelo Mediterrâneo, a oeste pelo oceano Atlântico e a leste pelo oceano Índico. Em termos geográficos, suas principais marcas são o deserto do Saara ao norte que divide o continente, o deserto do Calahari a sudoeste, a floresta tropical do centro do continente, as savanas, ou campos de vegetação esparsa e rasteira, que separam áreas desérticas de áreas de florestas, e algumas terras altas, como aquelas nas quais nascem os rios que formam o Rio Nilo. Os rios são os meios de comunicação mais importantes do continente.

Essas diversidades naturais levaram estudiosos a falar de duas Áfricas, demarcadas pelo deserto do Saara: a África saariana que se localiza ao norte do continente e estende-se pela região que vai do atual Egito até Marrocos e a África subsaariana que estende-se do Saara até o Cabo da Boa Esperança, ao sul do continente, como podemos ver no mapa abaixo que representa a atual divisão territorial da África.

[1] Preparado pela Profa. Alinne Grazielle Neves Costa para os sétimos anos de 2010. As referências bibliográficas utilizadas na preparação do presente material didático constam ao seu final.


O reino de Gana: a “terra do ouro”

Localizado a oeste do continente africano, em uma zona chamada Sael e ao sul do Deserto do Saara, região também conhecida como África Subsaariana, o Reino de Gana cresceu a partir do ano 300 e teve seu apogeu entre os séculos IX e X, quando dominou os povos vizinhos e ocupou uma faixa territorial maior do que ocupa nos dias de hoje.

O rei recebia o título de gana e era visto como elo entre os deuses e os homens. Ele liderava um poderoso exército e ocupava o topo de uma sociedade hierarquizada. Sacerdotes, nobres e funcionários cuidavam da administração do reino.

A população se dedicava à agricultura e à criação de gado, mas o comércio era a principal atividade econômica do reino. O Reino de Gana controlava as rotas de comércio que atravessavam o Saara e chegava às cidades e aos portos do norte África. Esse comércio era feito por meio de caravanas de camelos, pois esses animais conseguem viver com pouca quantidade de água.

O principal artigo transportado era o ouro retirado das minas do sul de Gana, isso explica por que seus reis eram chamados pelos povos do norte de “senhores do ouro”. Durante o domínio português, Gana era chamada de Costa de Ouro, por causa da grande quantidade de jazidas de ouro nessa região. Atualmente, ao lado da exportação de cacau e de madeira, a exploração de ouro ainda é uma das atividades econômicas mais importantes do país. Gana é um dos maiores produtores de ouro do mundo.

Também se comercializava o sal, extraído das salinas do litoral ou das jazidas no deserto. Do norte vinham produtos manufaturados, tecidos europeus asiáticos, barras de cobre, contas de vidro e tipos diferentes de arma que abasteciam as sociedades africanas.

O império do Mali: o “lugar onde o senhor reside”

Este império desenvolveu-se entre os séculos XIII e XVI, período em que impôs sua hegemonia sobre a bacia do Rio Níger. Constituído pela atual República de Mali e algumas regiões dos atuais Senegal e Guiné, o reino do Mali, no século XIV, expandiu-se por meio da anexação das cidades de Tombuctu, Gao e Djenne que foram importantes cidades, centros de troca e de concentração de pessoas, graças à rede de rios que fertilizava as terras e facilitava o transporte na região.

O Mali era um império poderoso, pois controlava o comércio transaariano e as rotas caravaneiras que se dirigiam para as principais cidades do reino, localizados em sua maioria às bordas do Rio Níger, semelhante a rota comercial de Gana. O comércio e principalmente as taxas sobre o tráfico de ouro, sal, escravos, marfim, noz-de-cola e outros produtos eram fundamentais para a manutenção do Estado, da corte e do mansa. O artesanato era bastante desenvolvido. Cada grupo de artesãos tinha seu representante junto ao imperador. Os governantes do Mali recebiam o título de mansa. Viajantes árabes relatavam histórias de alguns governantes que se tornaram famosos, como Sundiata, herói fundador que reinou de 1230 a 1255, e Mansa Musa, que governou entre 1312 e 1337.


Mansa Musa - (Extraído do blog: civilizacoesafricanas.blogspot.com)

A cidade de Tombuctu destacou-se como grande centro cultural do continente africano, onde havia vastas bibliotecas, madrassas (universidades islâmicas) e magníficas mesquitas que é o lugar onde a comunidade muçulmana se reúne para tratar de todas as questões que lhe interessa, questões religiosas, sociais, políticas e locais e também para rezar. Além disso, a cidade passou a ser o ponto de encontro de poetas, intelectuais e artistas da África e do Oriente Médio. Mesmo após o declino do império, Tombuctu permaneceu como um dos principais pólos islâmicos da África subsaariana. Em 1988, a cidade de Timbuctu foi declarada patrimônio mundial pela UNESCO.

Vale destacar que as 150 escolas que existiam em Tombuctu eram muito diferentes das escolas medievais européias. Não possuíam uma administração central, registros de estudantes ou cursos pré- determinados. Eram formadas por diversas faculdades independentes. Os estudantes se associavam a um único professor, o objetivo do ensino era transmitir os ensinamentos do Alcorão, livro sagrado do islamismo.

É importante mencionar que o império do Mali e também de Gana assimilaram a cultura e a religião islâmica. Maomé que viveu entre Meca e Medina, de 570 a 632, foi fundador do Islã, que significa submissão a um deus, única e onipotente. A religião vinha acompanhada de maneiras de viver e de governar próprias do mundo árabe, chamadas de muçulmanas, sobre este assunto estudaremos com mais detalhes mais adiante.

Reino do Congo: “saudações ao manicongo”

Fundado no século XIV, o reino do Congo abrangia grande extensão da África centro-ocidental e se compunha de diversas províncias, governado por um rei que recebia o título de Manicongo. Hoje a região que fazia parte do reino Congo, recebe o nome de Republica Democrática do Congo.Os habitantes do reino do Congo organizavam-se em vários clãs. Esses clãs eram compostos de pessoas que acreditavam descender de um mesmo antepassado.

A base da economia do Congo era a agricultura, pastoreio e o comércio. O comércio no território do Congo era intenso, os comerciantes congoleses lucravam com a comercialização de tecidos, sal, metais e derivados de animais, como o marfim. O comércio poderia ser à base de trocas ou com moedas (conchas chamadas de nzimbu) encontradas na região de Luanda em Angola.

O manicongo, cercado de seus conselheiros, controlava o comércio, o trânsito de pessoas, recebia impostos, exercia a justiça, buscava garantir a harmonia da vida do reino e das pessoas que viviam nele.

Os limites do reino eram traçados pelo conjunto de aldeias que pagavam tributos ao poder central, devendo fidelidade a ele, recebendo proteção, tanto para assuntos deste mundo como para os assuntos do além, pois manicongo também era responsável pelas boas relações com os espíritos e os ancestrais.

Em 1483 iniciou no reino do Congo o contato com os portugueses.

Reino do Benin: “os feitos de obá”

Há indícios de que este reino tenha se desenvolvido entre os séculos XII e XIII, onde hoje estão Nigéria e Camarões. Desde cedo, essa região passou por um processo de urbanização, e as cidades se converteram em reinos. Sua localização favorecia o encontro de mercadores.

A principal atividade econômica do reino de Benim era o comércio de sal, peixe seco, inhame, dendê, feijão, animais de criação, o cobre, produto raro, só possível para os mais poderosos, ou seja , os mais ricos. Produtos como pimenta, marfim, tecidos e escravos eram comercializados ativamente com os reinos de Ifê e o reino Iorubá. Para prevenir a redução da população nativa, o governo proibiu a exportação de escravos masculinos e os importou da África ocidental para comerciá-los com os europeus a partir do século XVI.

Cronistas descreveram a cidade do Benin com grandes muralhas e um palácio decorados com placas de latão presas às paredes. Nessas placas, era contada a história do reino: feitos do obá (titulo do principal chefe do reino que se tornou o supremo poder na região), as caçadas, as guerras e os primeiros contatos com os portugueses, por volta de 1485. A chegada dos europeus foi registrada pelos artistas africanos com imagens esculpidas nessas placas e em pequenas estatuetas de marfim.

Cabeça de marfim, Império de Benim, século XVI (Metropolitan Museum of Art). (Extraído do blog: civilizacoesafricanas.blogspot.com)

O reino de Benin se desintegrou no século XIX, sob o domínio dos ingleses.

O contato entre os reinos africanos

A interação destes reinos acima estudados, e demais reinos africanos ocorreu através do comércio, ora através de relações pacificas , ora conflituosas, como foi o caso do reino de Gana que no século XIII foi governado por Sundiata Keita, rei do Império do Mali.

Quando os europeus começaram a explorar a costa africana, no século XV, encontraram diferentes povos, com línguas, tradições e costumes distintos. O contato dos europeus com essa diversidade de etnias, por meio da exploração das terras africanas e do escravismo, produziu um intercâmbio cultural que se pode notar em quase todo o planeta. No Brasil podemos reconhecer a África na capoeira, embalada pelo berimbau; a culinária, enriquecida com o vatapá, o caruru e outros quitutes; as influências musicais do batuque e a ginga do samba e dos instrumentos como cuícas, atabaques e agogôs. Estamos ligados ao continente africano de forma indissolúvel.


Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania)

PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. 2ed.São Paulo: Ática,2007.

KI-ZERBO, Joseph. História da África Negra.Vol.I.4ed.traducão Américo de Carvalho.Publicações Europa-América,2009.

Roteiro de Atividades:

  1. Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.
  2. Encontre e pinte no mapa de cores diferentes os reinos que foram estudados neste texto.
  3. Aponte as características semelhantes entre os reinos africanos estudados acima.
  4. A distância e o desconhecimento sobre a África levaram à divulgação de ideias erradas sobre os povos africanos. Você conhece nos dias atuais outras afirmações que revelam o preconceito contra algum povo? Qual? Comente a respeito.


Culturas em choque, culturas em trânsito - Parte I

Texto 1

África e africanos: mosaico de culturas[1]


Depois de estudarmos a formação do feudalismo na Europa Ocidental do século V até o século X, nos perguntamos: o que ocorria na Ásia, na África e na América neste mesmo período? Havia ligação entre essas regiões do globo? Se houve algum contato, sob que circunstância teria ocorrido: respeito, tolerância, competição e/ ou hostilidade? Que impactos o contato entre culturas tão diferentes traria ao chamado “mundo medieval”? Responderemos estas e outras perguntas iniciando pela história do continente africano.

Já é senso comum imaginar a África apenas como um conglomerado de países cobertos por vastas áreas abrigando animais selvagens, populações que sofrem com a miséria, economias falidas e governos corruptos. De fato, isso tudo ainda existe por lá, mas não pode representar o retrato de um continente tão grande e variado. De acordo com o que já estudamos na 5 série, achados e pesquisas comprovam que os primeiros ancestrais dos seres humanos teriam vivido no Vale do Rift, na África, entre 3 e 4 milhões de anos atrás. Sendo assim a África, constitui-se continente berço do conhecimento e da humanidade, possuí hoje uma população de 850 milhões de habitantes, 53 países e são faladas 2019 línguas.

Antes de os europeus escravizarem os africanos, a partir do século XV, e colonizarem a África, no século XIX, diversas sociedades autônomas já existiam nesse continente. Cada uma contava com sua própria organização econômica, política e cultural. Portanto, a história da África não pode ser pensada a partir do contato com o mundo ocidental. Antes da chegada dos europeus, as sociedades africanas já tinham a sua própria história. A fase da história africana anterior à chegada dos europeus e depois marcada pelas relações entre eles os africanos foi convencionalmente chamada de África pré-colonial e durou aproximadamente do século IX ao XIX.

1

No ano 1000, havia na África povos nômades e povos sedentários. Alguns deles possuíam governos centralizados; outros estavam organizados em aldeias, formadas por conjuntos de famílias que viviam sob o comando de conselhos de anciãos e de chefes de clãs:

“[...] várias formas de Estado existiram na África. O clã ou linhagem é a forma rudimentar do Estado; seus membros reconhecem um ancestral comum e vivem sob a autoridade de um chefe eleito ou de um patriarca, cuja função essencial é zelar por uma divisão equitativa dos ganhos do grupo[...].O reino congregava vários clãs, sendo o rei, freqüentemente, um chefe de clã que impôs sua autoridade a outros clãs [...]”.[2]

Algumas sociedades africanas pré-coloniais, sob o comando de chefes poderosos, ampliaram suas áreas de influência e dominaram outros povos, transformando-se, assim, em impérios. Entre eles, destacou-se o Egito, o Mali, Songai, Ifé, Benin, Gana, Congo, Zimbabué. Outras eram agrupamentos muito pequenos de pessoas que caçavam e coletavam o que a natureza oferecia ou plantavam o suficiente para o sustento da família e do grupo. Das mais simples às mais complexas, se organizavam a partir da fidelidade ao chefe e das relações de parentesco.

O chefe de família, cercado de seus dependentes e agregados, era o núcleo básico de organização na África. Quanto mais poderoso um chefe mais mulheres ele tinha. Maior seriam seus laços de solidariedade e fidelidade, pois os casamentos garantiam alianças entre os grupos. Sendo assim, quanto maior a descendência maior o prestígio, pois o poder era medido pela quantidade de pessoas subordinadas a um chefe.

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Nas sociedades africanas a orientação de tudo na vida era dada pelo contato sobrenatural. O mundo natural é o concreto, que tocamos, sentimos, no qual vivemos. O mundo social é o resultado da nossa vida em grupo e em determinado meio ambiente. O mundo sobrenatural é o das religiões, da magia, ao qual os homens só têm acesso parcial, por meio de determinados ritos e cerimônias.

Todo conhecimento dos homens vinha dos mais velhos e dos ancestrais que mesmo depois de mortos continuavam influenciando a vida.

A religião estava presente no exercício do poder, na aplicação das normas de convivência do grupo, na garantia da harmonia e do bem- estar da comunidade. O mundo era decifrado e controlado pela religião, que nessas sociedades tinha um papel equivalente ao que a ciência e a tecnologia têm para a nossa sociedade.

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Parte das sociedades africanas praticava a agricultura para subsistência, mas muitas delas se dedicavam ao comércio e às trocas de produtos artesanais e agrícolas ou à exploração de jazidas de ouro e de pedras preciosas, como o diamante.

O comércio era uma forma importante das sociedades se relacionarem, trocando não só mercadorias como idéias e comportamentos. Ou seja, o comércio é atividade das mais presentes na história de várias regiões da África, e por meio dele as sociedades mantinham contato uma com as outras. Os produtos eram negociados por pessoas vindas de longe, com costumes e crenças diferentes que algumas vezes eram incorporados, misturando-se às tradições locais. A vitalidade do comércio dentro do continente africano, de curta, média e longa distância, põe por terra a idéia de sociedades isoladas umas das outras, vivendo voltadas apenas para si mesmas.

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Outra questão a ser levantada é o fato de comumente ouvirmos falar que já existia escravidão na África antes da chegada dos europeus.

E, de fato, isso é verdade. Escravizavam-se os criminosos, os que não pagavam dívidas e também prisioneiros de guerra. Mas os cativos podiam trabalhar para seus senhores por certo tempo, geralmente de dois a quatro anos, e recebiam um pedaço de terra para seu sustento. Também podiam se casar e desempenhar funções administrativas e militares. A condição dos escravos na África era, no entanto, muito diferente da dos africanos que mais tarde foram escravizados no Brasil. E é importante destacar que as sociedades africanas não foram escravocratas, isto é, a escravidão não era a única nem a principal instituição social.

Ao longo desta unidade e nos próximos textos estudaremos a diversidade de organizações econômicas, sociais e políticas existentes entre povos africanos que se destacaram e formaram grandes reinos. Além do contato dos africanos com árabes e europeus e suas influências culturais no Brasil. Por estas e outras conhecer a história da África nos faz conhecer melhor nossa própria história do Brasil Africano.

Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania)

PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. 2ed.São Paulo: Ática,2007.

Roteiro de Atividades:

1- Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.

2- Preencha as linhas em branco do texto, criando subtítulos de acordo com o assunto de cada trecho.

3- Crie quatro perguntas relacionadas a este texto e responda estas perguntas em seu caderno.



[1] Preparado pela Profa. Alinne Grazielle Neves Costa para os sétimos anos de 2010. As referências bibliográficas utilizadas na preparação do presente material didático constam ao seu final.

[2] NIANE, Djibril Tamsir(coord.).História Geral da África: a África do século XII ao século XVI. São Paulo: Ática/Unesco,1988.p33-4

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