domingo, 3 de outubro de 2010

Culturas em choque, culturas em trânsito - Parte I

Texto 1

África e africanos: mosaico de culturas[1]


Depois de estudarmos a formação do feudalismo na Europa Ocidental do século V até o século X, nos perguntamos: o que ocorria na Ásia, na África e na América neste mesmo período? Havia ligação entre essas regiões do globo? Se houve algum contato, sob que circunstância teria ocorrido: respeito, tolerância, competição e/ ou hostilidade? Que impactos o contato entre culturas tão diferentes traria ao chamado “mundo medieval”? Responderemos estas e outras perguntas iniciando pela história do continente africano.

Já é senso comum imaginar a África apenas como um conglomerado de países cobertos por vastas áreas abrigando animais selvagens, populações que sofrem com a miséria, economias falidas e governos corruptos. De fato, isso tudo ainda existe por lá, mas não pode representar o retrato de um continente tão grande e variado. De acordo com o que já estudamos na 5 série, achados e pesquisas comprovam que os primeiros ancestrais dos seres humanos teriam vivido no Vale do Rift, na África, entre 3 e 4 milhões de anos atrás. Sendo assim a África, constitui-se continente berço do conhecimento e da humanidade, possuí hoje uma população de 850 milhões de habitantes, 53 países e são faladas 2019 línguas.

Antes de os europeus escravizarem os africanos, a partir do século XV, e colonizarem a África, no século XIX, diversas sociedades autônomas já existiam nesse continente. Cada uma contava com sua própria organização econômica, política e cultural. Portanto, a história da África não pode ser pensada a partir do contato com o mundo ocidental. Antes da chegada dos europeus, as sociedades africanas já tinham a sua própria história. A fase da história africana anterior à chegada dos europeus e depois marcada pelas relações entre eles os africanos foi convencionalmente chamada de África pré-colonial e durou aproximadamente do século IX ao XIX.

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No ano 1000, havia na África povos nômades e povos sedentários. Alguns deles possuíam governos centralizados; outros estavam organizados em aldeias, formadas por conjuntos de famílias que viviam sob o comando de conselhos de anciãos e de chefes de clãs:

“[...] várias formas de Estado existiram na África. O clã ou linhagem é a forma rudimentar do Estado; seus membros reconhecem um ancestral comum e vivem sob a autoridade de um chefe eleito ou de um patriarca, cuja função essencial é zelar por uma divisão equitativa dos ganhos do grupo[...].O reino congregava vários clãs, sendo o rei, freqüentemente, um chefe de clã que impôs sua autoridade a outros clãs [...]”.[2]

Algumas sociedades africanas pré-coloniais, sob o comando de chefes poderosos, ampliaram suas áreas de influência e dominaram outros povos, transformando-se, assim, em impérios. Entre eles, destacou-se o Egito, o Mali, Songai, Ifé, Benin, Gana, Congo, Zimbabué. Outras eram agrupamentos muito pequenos de pessoas que caçavam e coletavam o que a natureza oferecia ou plantavam o suficiente para o sustento da família e do grupo. Das mais simples às mais complexas, se organizavam a partir da fidelidade ao chefe e das relações de parentesco.

O chefe de família, cercado de seus dependentes e agregados, era o núcleo básico de organização na África. Quanto mais poderoso um chefe mais mulheres ele tinha. Maior seriam seus laços de solidariedade e fidelidade, pois os casamentos garantiam alianças entre os grupos. Sendo assim, quanto maior a descendência maior o prestígio, pois o poder era medido pela quantidade de pessoas subordinadas a um chefe.

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Nas sociedades africanas a orientação de tudo na vida era dada pelo contato sobrenatural. O mundo natural é o concreto, que tocamos, sentimos, no qual vivemos. O mundo social é o resultado da nossa vida em grupo e em determinado meio ambiente. O mundo sobrenatural é o das religiões, da magia, ao qual os homens só têm acesso parcial, por meio de determinados ritos e cerimônias.

Todo conhecimento dos homens vinha dos mais velhos e dos ancestrais que mesmo depois de mortos continuavam influenciando a vida.

A religião estava presente no exercício do poder, na aplicação das normas de convivência do grupo, na garantia da harmonia e do bem- estar da comunidade. O mundo era decifrado e controlado pela religião, que nessas sociedades tinha um papel equivalente ao que a ciência e a tecnologia têm para a nossa sociedade.

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Parte das sociedades africanas praticava a agricultura para subsistência, mas muitas delas se dedicavam ao comércio e às trocas de produtos artesanais e agrícolas ou à exploração de jazidas de ouro e de pedras preciosas, como o diamante.

O comércio era uma forma importante das sociedades se relacionarem, trocando não só mercadorias como idéias e comportamentos. Ou seja, o comércio é atividade das mais presentes na história de várias regiões da África, e por meio dele as sociedades mantinham contato uma com as outras. Os produtos eram negociados por pessoas vindas de longe, com costumes e crenças diferentes que algumas vezes eram incorporados, misturando-se às tradições locais. A vitalidade do comércio dentro do continente africano, de curta, média e longa distância, põe por terra a idéia de sociedades isoladas umas das outras, vivendo voltadas apenas para si mesmas.

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Outra questão a ser levantada é o fato de comumente ouvirmos falar que já existia escravidão na África antes da chegada dos europeus.

E, de fato, isso é verdade. Escravizavam-se os criminosos, os que não pagavam dívidas e também prisioneiros de guerra. Mas os cativos podiam trabalhar para seus senhores por certo tempo, geralmente de dois a quatro anos, e recebiam um pedaço de terra para seu sustento. Também podiam se casar e desempenhar funções administrativas e militares. A condição dos escravos na África era, no entanto, muito diferente da dos africanos que mais tarde foram escravizados no Brasil. E é importante destacar que as sociedades africanas não foram escravocratas, isto é, a escravidão não era a única nem a principal instituição social.

Ao longo desta unidade e nos próximos textos estudaremos a diversidade de organizações econômicas, sociais e políticas existentes entre povos africanos que se destacaram e formaram grandes reinos. Além do contato dos africanos com árabes e europeus e suas influências culturais no Brasil. Por estas e outras conhecer a história da África nos faz conhecer melhor nossa própria história do Brasil Africano.

Referências Bibliográficas:

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania)

PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil Africano. 2ed.São Paulo: Ática,2007.

Roteiro de Atividades:

1- Leia este texto com atenção, grife as palavras desconhecidas e faça o vocabulário no caderno.

2- Preencha as linhas em branco do texto, criando subtítulos de acordo com o assunto de cada trecho.

3- Crie quatro perguntas relacionadas a este texto e responda estas perguntas em seu caderno.



[1] Preparado pela Profa. Alinne Grazielle Neves Costa para os sétimos anos de 2010. As referências bibliográficas utilizadas na preparação do presente material didático constam ao seu final.

[2] NIANE, Djibril Tamsir(coord.).História Geral da África: a África do século XII ao século XVI. São Paulo: Ática/Unesco,1988.p33-4

DANÇAS AFRICANAS

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