quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A formação de São Pedro de Uberabinha, hoje Uberlândia: bandeirantes e sesmeiros

texto produzido pela Profa. Aléxia Pádua Franco da Eseba, UFU, a partir de fontes históricas coletadas pelos alunos do 5º ano, em 2009.

Depois que os bandeirantes abriram estradas pelo Sertão da Farinha Podre (hoje, Triângulo Mineiro) e conquistaram as regiões antes habitadas pelos índios que foram mortos ou expulsos para longe, o Rei de Portugal doou estas terras para colonos que deveriam povoá-las e torná-las produtivas conforme os interesses do governo português.
Para escolher para quem doar as terras, chamadas de sesmarias, os funcionários do rei “avaliavam os candidatos considerando o status social, qualidades pessoais e serviços prestados à coroa” , verificando se o colono que receberia a terra tinha recursos para nela construir casas, criar animais e plantar cereais e outros produtos agrícolas. Desta forma, estas terras não eram doadas para índios, negros ou brancos pobres.
Nas sesmarias eram construídas, pelos sesmeiros e seus escravos negros, capelas, escolas, armazéns para vender alimentos, roupas, ferramentas, que davam origem a pequenos arraiais que depois se transformaram nas cidades triangulinas de hoje.
Vamos ler uma narrativa retirada da fonte histórica coletada pelos alunos Vinícius Faleiros (4ª B), Andressa (4ª C), Gabriela Alves (4ª C), no site www3.uberlandia.mg.gov.br/cidade_historia.php: Uberlândia, uma história de muitos (Primeiros posseamentos do Município; A chegada dos Carrejos; O surgimento do Patrimônio da Santa; A Capela), que conta a história do sesmeiro João Pereira Rocha e de outras famílias como os Carrejo que iniciaram a ocupação da região onde hoje é Uberlândia, a partir de 1817 :

Segundo os manuscritos cedidos por descendentes do Sr. João Pereira, os primeiros posseamentos tiveram início em 1817 e não em 1818 como até então se acreditava. Neles há relatos de três famílias que saíram de Paraopeba, próximo à Vila Rica, no intuito de demarcarem aqui suas sesmarias: Os irmãos Caetano e José Alves Rezende com suas famílias, acompanhados do cunhado João Pereira da Rocha e ainda o amigo Francisco Rodrigues Rabello, que também trouxe sua família.
Quanto a João Pereira da Rocha, após o mesmo ter palmilhado a região com seus cunhados, retornou à Fazenda Rocha em Cachoeira do Campo em busca de sua família – esposa e onze filhos. Desta vez retomou o velho caminho com seus familiares e seus escravos transportando seus pertences no lombo de burros. Isto porém, ocorreu já em 1818.
Durante a caminhada de exploração e conhecimento de sua sesmaria, João Pereira foi denominando certas áreas e córregos que mais tarde se tornavam nomes de fazendas ou de região, como a Fazenda da Estiva, porque lá estivaram o caminho de acesso ao pasto; o córrego em cuja margem acamparam no dia de São Pedro, recebeu o nome deste Santo e próximo a ele deixaram instalados um casal de escravos da família Lagoinha. Este córrego São Pedro hoje está encoberto pela Avenida Rondon Pacheco.
Enfim, nomes até hoje conhecidos como Letreiro, que foi a denominação dada por Francisco Alves Pereira à área que lhe agradava no trajeto onde deixara suas iniciais no tronco de um pau-terra, e assim sucessivamente, capões a que deram o nome de Marimbondo; Tenda, o local onde levantaram um rancho de pau-a-pique (cobertura de capim) e instalaram uma tenda de ferreiro; o córrego que denominaram por Córrego do Salto em cuja proximidade foi instalada a sede da Fazenda do Salto, além de tantos outros, e por último, a área que alcançaram no dia 04 de outubro de 1818, dia de São Francisco, que deu denominação à conhecida Fazenda São Francisco de Assis.


Segundo o documento, quando foi construída a sede da fazenda Letreiro, Francisco Alves Pereira, necessitando de homens especializados em ferragens, para carros-de-boi e tivera notícias de entendidos no assunto no arraial de Campo Belo do Prata, partiu em busca dos mesmos. Foi então que conheceu a família Carrejo, que contava em seu meio com excelentes profissionais. Entre 1832 e 1835, Francisco travou relações com alguns membros desta família combinando a venda de terras em boas condições, facilitando sua vinda. Para cá se transferiram trazendo suas respectivas esposas e filhos, alguns escravos, animais domésticos e apreciáveis quantidade de víveres, sementes e instrumentos agrícolas.Adquiriram terras de José Diogo da Cunha e parte das terras de João Pereira da Rocha.
Luís Alves Carrejo, proprietário de maior extensão, para equilibrar as cotas entre eles, facilitou a aquisição de seus excessos pelos quotistas menores. Ficou com a parte que é hoje a fazenda Olho D’Água. Francisco Alves Carrejo posseou a da Laje, Felisberto instalou-se na fazenda da Tenda; Antônio Alves Carrejo ficou com a que denominou Marimbondo.
Nesta época já existia um grande povoado às margens do córrego São Pedro do Uberabinha (hoje Avenida Rondon Pacheco), iniciado com os escravos deixados lá por João Pereira da Rocha e mais as famílias que foram chegando para tocar lavouras na Sesmaria São Francisco.
No ano de 1842, em reunião convocada pelos habitantes da redondeza foram nomeados, como seus procuradores para conseguir autorização para construir uma capela perto de onde moravam, Francisco Alves Pereira e Felisberto Alves Carrejo. Inicialmente, conseguiram permissão junto às autoridades eclesiásticas e partiram em busca do local mais adequado. A área escolhida, pertencente à fazenda do Salto, localizava-se à margem de confluência do ribeirão São Pedro com o rio Uberabinha e pertencia a vários proprietários, sendo Francisca Alves Rabelo (viúva de João Pereira da Rocha), detentora de maior parte. Negociou-se a compra de cem alqueires pelo valor de quatrocentos mil réis, a serem pagos à prestação (vários habitantes da região ajudaram no pagamento destas prestações). Então, a área localizada entre o ribeirão São Pedro (hoje Rondon Pacheco) e o córrego das Galinhas (hoje Cajubá e que se encontra canalizado dando lugar a Av. Getúlio Vargas), é que compôs o território do patrimônio da Santa, onde deveria ser construída a Capela.
Em seguida foi determinar uma área de dois alqueires para pasto de aluguel, cuja renda seria convertida para a construção da capela projetada.
Ao redor desta Capela o povoado iniciado às margens do Córrego São Pedro foi crescendo e, em 1857, ele foi reconhecido oficialmente pelo Juiz Municipal de Uberaba, com o nome de “Arraial de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha” , que tornou-se um distrito da cidade de Uberaba.

2 comentários:

  1. Sou carioca e vou visitar Uberlândia à trabalho nos próximos dois dias. Como também sou graduando em História pela PUC-Rio vou aproveitar para realizar uma pesquisa sobre a sesmaria que deu origem à Cidade.

    Um abraço e muito obrigado pelo suporte!

    ResponderExcluir